A dor neuropática é a dor provocada por lesão ou doença do próprio sistema nervoso — nervos periféricos, raízes nervosas, medula ou cérebro — e não por uma agressão a músculos, ossos ou articulações. Essa diferença é o que explica por que ela se manifesta de forma tão estranha para quem sente: em vez da dor "de machucado", surgem queimação, formigamento, agulhadas e choques, muitas vezes sem nenhuma lesão visível na região dolorida.
Dois fenômenos são bastante característicos. Na alodinia, estímulos que normalmente não doem passam a doer — o roçar do lençol, a costura da meia. Na hiperalgesia, um estímulo levemente doloroso é sentido com intensidade desproporcional. O problema não está no estímulo, e sim na forma como o nervo lesionado transmite a informação.
A Dra. Alyne Neves Cintra (CRM 26527 | RQE 17688 / 17689) atende em Brasília com especialização em Medicina da Dor pela USP e formação em Acupuntura Médica, atuando também na área de Nutrologia. Essa combinação permite tratar a dor e, ao mesmo tempo, investigar as alterações metabólicas que frequentemente estão na origem do dano ao nervo.
Causas e fatores de risco
A dor neuropática não é uma doença isolada: é o sintoma de algo que agrediu o nervo. Identificar essa causa é a parte mais importante da avaliação, porque ela muda a conduta.
- Diabetes e pré-diabetes, causa mais comum de neuropatia periférica: a hiperglicemia sustentada danifica as fibras nervosas mais longas, o que explica o início pelos pés.
- Herpes-zóster, que pode deixar dor persistente no trajeto do nervo acometido mesmo após a pele cicatrizar — a nevralgia pós-herpética.
- Compressões nervosas, como hérnia de disco com dor irradiada para a perna (ciatalgia), síndrome do túnel do carpo e compressões cervicais.
- Deficiências nutricionais, especialmente de vitamina B12, folato e vitamina D, com destaque para quem usa metformina ou inibidores de bomba de prótons por longos períodos, ou passou por cirurgia bariátrica.
- Cirurgias e traumas prévios, que podem lesionar ramos nervosos e gerar dor persistente na cicatriz ou na região operada.
- Doenças sistêmicas e endócrinas, incluindo hipotireoidismo, doença renal crônica, doenças autoimunes e infecções.
- Álcool em excesso e certas medicações, entre elas alguns quimioterápicos, reconhecidamente tóxicos para os nervos periféricos.
- Neuralgia do trigêmeo, que causa choques intensos e breves na face, desencadeados por falar, mastigar ou tocar o rosto.
Sintomas e quando procurar avaliação
- Queimação contínua, sensação de pés ou mãos "em fogo", tipicamente pior à noite.
- Formigamento e dormência, com a impressão de estar usando uma luva ou meia invisível.
- Choques ou pontadas súbitas, curtas e intensas, que aparecem sem aviso.
- Alodinia: dor ao toque leve da roupa, do lençol ou do vento sobre a pele.
- Dor irradiada seguindo o trajeto de um nervo, como da lombar até a panturrilha ou do pescoço até a mão.
- Piora noturna com prejuízo do sono, um dos sinais que mais diferenciam esse tipo de dor.
- Fraqueza, desequilíbrio ou perda de sensibilidade, que podem acompanhar o quadro e aumentam o risco de quedas.
Procure avaliação quando os sintomas persistirem por semanas, atrapalharem o sono ou as atividades do dia a dia, ou quando não responderem a analgésicos comuns. Situações que pedem avaliação mais rápida incluem perda de força progressiva, alteração no controle da bexiga ou do intestino, dormência na região genital ou entre as pernas, dor que se instalou logo após herpes-zóster e feridas nos pés em quem tem diabetes.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da dor neuropática é clínico: baseia-se na descrição dos sintomas, na distribuição da dor em território de nervo e no exame neurológico. Os exames complementares servem para identificar a causa e afastar diagnósticos alternativos.
- Exame neurológico dirigido, com teste de sensibilidade tátil, térmica e vibratória (diapasão), pesquisa de reflexos, força muscular e teste com monofilamento nos pés.
- Questionários validados, como DN4 e LANSS, que ajudam a caracterizar a dor como neuropática de forma objetiva.
- Eletroneuromiografia, indicada para confirmar e localizar comprometimento de nervos periféricos, embora possa ser normal quando apenas fibras finas estão afetadas.
- Ressonância magnética da coluna cervical ou lombar, quando há suspeita de compressão de raiz nervosa.
- Glicemia de jejum, hemoglobina glicada e curva glicêmica, para investigar diabetes e pré-diabetes, este último frequentemente subdiagnosticado.
- Vitamina B12, ácido metilmalônico, ácido fólico e 25-OH-vitamina D, na pesquisa de causas nutricionais reversíveis.
- TSH e T4 livre, função renal, hepatograma, eletroforese de proteínas, PCR e VHS, conforme a suspeita clínica, para investigar causas endócrinas, renais, inflamatórias e hematológicas.
Dor neuropática e dor nociceptiva: como diferenciar
Boa parte das dores crônicas é nociceptiva — vem de tecido lesionado ou inflamado, como em uma tendinite ou na artrose. Reconhecer a diferença é decisivo, porque o tratamento de uma não funciona para a outra.
| Característica | Dor neuropática | Dor nociceptiva |
|---|---|---|
| Origem | Lesão ou doença do sistema nervoso | Lesão ou inflamação de tecidos (músculo, osso, articulação) |
| Como o paciente descreve | Queimação, formigamento, choque, agulhada | Peso, latejamento, dor em aperto ou pontada localizada |
| Distribuição | Segue o território de um nervo ou raiz nervosa | Concentrada na região lesionada |
| Relação com o movimento | Pouca; costuma piorar à noite e em repouso | Piora com uso e carga, alivia com repouso |
| Dor ao toque leve (alodinia) | Frequente | Incomum |
| Alterações neurológicas associadas | Dormência, fraqueza, reflexos alterados | Em geral ausentes |
| Resposta a analgésico comum | Habitualmente insatisfatória | Costuma haver alívio parcial |
Os dois tipos podem coexistir na mesma pessoa — é o chamado quadro misto, comum na dor lombar com irradiação para a perna. Por isso a avaliação clínica não se resume a rotular a dor, e sim a identificar quanto de cada componente existe.
Como o tratamento é conduzido
O tratamento é construído em camadas e parte sempre de duas frentes simultâneas: controlar a dor e agir sobre a causa que agride o nervo. A conduta é definida caso a caso.
- Tratamento da causa de base, como otimizar o controle glicêmico no diabetes, repor deficiências vitamínicas identificadas ou revisar medicações potencialmente neurotóxicas.
- Manejo medicamentoso individualizado, com fármacos que atuam na modulação do sinal nervoso, escolhidos conforme comorbidades, interações e tolerância — e não com analgésicos comuns, pouco eficazes nesse mecanismo.
- Bloqueios analgésicos, direcionados a nervos ou raízes específicos, realizados com anestésico local e, quando indicado, associados a outras medicações, para interromper a transmissão da dor e permitir a reabilitação.
- Radiofrequência, considerada em casos selecionados de dor persistente e bem localizada, geralmente após resposta favorável a um bloqueio diagnóstico prévio.
- Acupuntura médica, recurso complementar de modulação da dor crônica, integrado ao restante do plano terapêutico.
- Reabilitação e movimento orientado, importantes para preservar força, equilíbrio e prevenir quedas, especialmente quando há perda de sensibilidade nos pés.
- Cuidado com o sono, já que insônia, ansiedade e humor deprimido amplificam a percepção dolorosa e fazem parte do quadro.
Não existe protocolo único: duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem receber planos diferentes. O objetivo realista é reduzir a dor a um nível que devolva sono e funcionalidade, com reavaliações periódicas para ajustar a conduta.
A conexão entre metabolismo, inflamação e nervo
Poucos tipos de dor têm um vínculo tão direto com o metabolismo quanto a dor neuropática. A glicose cronicamente elevada danifica tanto as fibras nervosas quanto os pequenos vasos que as nutrem, e esse processo começa antes do diagnóstico formal de diabetes: pessoas com resistência à insulina e pré-diabetes já podem apresentar queimação e formigamento nos pés.
Deficiências nutricionais completam o quadro. A vitamina B12 é essencial para a bainha de mielina que reveste o nervo, e sua falta — comum no uso prolongado de metformina ou de inibidores de bomba de prótons, após cirurgia bariátrica e em dietas restritivas — produz sintomas neuropáticos que podem melhorar com a reposição adequada. Vitamina D, ácido fólico, ingestão proteica insuficiente e hipotireoidismo também entram nessa avaliação.
É aí que a avaliação da Dra. Alyne soma duas frentes: o raciocínio de Medicina da Dor, para tratar o sintoma de forma direcionada, e a investigação metabólica e nutricional por exames laboratoriais, para agir sobre o que continua agredindo o nervo.
Onde a Dra. Alyne atende em Brasília
O atendimento acontece na Clínica Reju (SGAS 616, Edifício Linea Vitta Centro Clínico, Bloco B, Sala 32, Asa Sul), no Hospital Sírio-Libanês e no espaço MEO, no Lago Sul.
Fale com o consultório
Se você convive com queimação, formigamento ou choques que não melhoram com analgésico comum, agende uma avaliação com a Dra. Alyne Neves Cintra, especialista em Medicina da Dor, em Brasília.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
Dor neuropática tem cura?
Depende da causa. Quando existe um fator reversível — compressão de nervo, deficiência de vitamina B12, controle glicêmico ruim — corrigi-lo pode melhorar muito o quadro. Já em nervos com dano estabelecido, como em neuropatias de longa data, não existe cura definitiva, e o objetivo passa a ser reduzir a intensidade da dor, melhorar o sono e devolver funcionalidade. A resposta varia conforme o caso e exige avaliação individualizada.
Por que analgésico comum não resolve a minha dor?
Porque a dor neuropática nasce de um sinal gerado de forma anormal no próprio nervo, e não de uma inflamação em tecido lesionado. Analgésicos comuns e anti-inflamatórios atuam mal nesse mecanismo. O manejo da dor neuropática costuma exigir medicações que agem na modulação do sinal nervoso, sempre prescritas após avaliação médica e ajustadas ao perfil clínico de cada pessoa.
Formigamento nos pés é sempre diabetes?
Não. A neuropatia diabética é a causa mais frequente, mas formigamento e queimação nos pés também aparecem em deficiência de vitamina B12, hipotireoidismo, doença renal, consumo excessivo de álcool, efeito de certas medicações e compressões da coluna lombar. Por isso a investigação laboratorial faz parte da avaliação em vez de se assumir a causa mais óbvia.
A dor depois do herpes-zóster pode durar meses?
Pode. Quando a dor persiste após a cicatrização das lesões de pele, o quadro é chamado de nevralgia pós-herpética, mais comum em pessoas acima de 60 anos e em quem teve dor intensa na fase aguda. Procurar avaliação cedo é importante, porque o manejo tende a ser mais difícil quanto mais tempo a dor permanece sem tratamento.
Bloqueio e radiofrequência servem para qualquer dor neuropática?
Não. São recursos para casos selecionados, indicados quando existe um alvo nervoso identificável e quando as medidas iniciais não trouxeram alívio suficiente. A radiofrequência, em geral, só é considerada depois de um bloqueio diagnóstico com resposta favorável. A indicação depende de avaliação presencial e do quadro clínico completo.
Fontes e Referências
As informações desta página têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Em caso de sintomas, consulte um médico e procure atendimento médico para avaliação e diagnóstico individualizados.
