A hérnia de disco acontece quando o núcleo gelatinoso do disco intervertebral, que funciona como amortecedor entre duas vértebras, se desloca através de uma fissura no anel fibroso que o envolve e passa a comprimir ou irritar uma raiz nervosa vizinha. É uma das causas mais comuns de dor lombar com irradiação para a perna (a chamada dor ciática) e de dor cervical com irradiação para o braço.
O ponto que muda a conduta é este: nem toda hérnia dói, e nem toda dor de coluna é hérnia. Achados de protrusão e hérnia aparecem com frequência em exames de pessoas sem qualquer sintoma. O que define o tratamento é a correlação entre o que a imagem mostra e o que o exame clínico encontra.
A Dra. Alyne Neves Cintra (CRM 26527 | RQE 17688 / 17689), com especialização em Medicina da Dor pela USP e formação em Acupuntura Médica, atende em Brasília na Clínica Reju, na Asa Sul, no Hospital Sírio-Libanês e no espaço MEO, no Lago Sul.
Causas e fatores de risco
O disco intervertebral perde hidratação e elasticidade com o passar dos anos, o que o torna mais vulnerável. Sobre esse processo natural somam-se fatores que aceleram ou precipitam a lesão:
- Degeneração discal relacionada à idade, com ressecamento progressivo do núcleo do disco.
- Sobrecarga mecânica repetida, como levantar peso com a coluna fletida, movimentos de rotação sob carga e esforço sem preparo muscular.
- Sedentarismo e fraqueza da musculatura estabilizadora do tronco, que deixa a coluna sem suporte ativo.
- Longos períodos sentado, especialmente com má postura, o que eleva a pressão intradiscal na região lombar.
- Excesso de peso corporal, que aumenta a carga axial sobre os discos lombares.
- Tabagismo, associado a pior nutrição do disco intervertebral.
- Predisposição genética e história familiar de doença degenerativa da coluna.
Sintomas e quando procurar avaliação
O sintoma mais característico não é a dor local, mas a dor irradiada, que segue o trajeto do nervo comprimido:
- Dor que desce pela perna (nádega, coxa, panturrilha, pé) nas hérnias lombares, ou que desce pelo braço até a mão nas hérnias cervicais.
- Formigamento, queimação ou sensação de choque no território do nervo afetado.
- Dormência ou perda de sensibilidade em uma região delimitada da perna, do pé, do braço ou da mão.
- Perda de força, como dificuldade para ficar na ponta do pé, para levantar o pé ao caminhar ou para segurar objetos.
- Piora ao tossir, espirrar ou fazer força, situações que aumentam a pressão dentro do canal vertebral.
- Dor que piora ao permanecer sentado por longos períodos e alivia parcialmente ao deitar.
Alguns sinais exigem avaliação de urgência, sem esperar consulta eletiva: perda de controle da bexiga ou do intestino, dormência na região genital e perineal (anestesia em sela), perda de força que progride rapidamente nas duas pernas, ou dor associada a febre, perda de peso não explicada e história de câncer.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, e o exame de imagem confirma e localiza o que a avaliação já sugeriu:
- Exame clínico e neurológico: mapeamento do território da dor, testes de força, reflexos, sensibilidade e manobras de estiramento radicular. É o exame que define qual raiz está envolvida.
- Ressonância magnética: exame de escolha para visualizar o disco, a raiz nervosa e o grau de compressão. Indicada quando a dor persiste, quando há déficit neurológico ou quando se considera um procedimento.
- Raio-X da coluna: não mostra o disco, mas avalia alinhamento, altura dos espaços discais, instabilidade e alterações ósseas que entram no diagnóstico diferencial.
- Eletroneuromiografia: útil quando há dúvida sobre qual raiz está comprometida ou quando se suspeita de neuropatia periférica associada.
- Exames laboratoriais: PCR ultrassensível e VHS quando é preciso afastar causa inflamatória ou infecciosa; FAN e demais marcadores quando a suspeita é de doença reumatológica; glicemia, hemoglobina glicada e 25-OH-vitamina D pela influência direta sobre nervo, músculo e recuperação.
Tratamento conservador e intervencionista: o que diferencia
| Aspecto | Tratamento conservador | Tratamento intervencionista |
|---|---|---|
| Quando é a primeira escolha | Maior parte dos casos, incluindo dor irradiada intensa sem déficit neurológico progressivo | Dor que persiste apesar do tratamento conservador bem conduzido, ou dor de difícil controle |
| Recursos | Medicação analgésica e anti-inflamatória por período definido, fisioterapia, reeducação de movimento, acupuntura médica, ajuste de carga e de rotina | Infiltrações e bloqueios analgésicos guiados, radiofrequência quando indicada |
| Objetivo | Controlar a dor e devolver movimento enquanto o processo inflamatório em torno da raiz regride | Reduzir a dor e a inflamação perirradicular para permitir a reabilitação que a dor vinha impedindo |
| Tempo de resposta | Progressivo, ao longo de semanas; varia conforme o caso | Costuma ser mais rápido, mas o resultado varia e não dispensa a reabilitação |
| Limitação | Pode ser insuficiente em dor de forte intensidade que impede qualquer exercício | Não corrige a hérnia nem substitui o fortalecimento; é uma etapa, não o fim do tratamento |
A cirurgia permanece como opção para um grupo específico: déficit neurológico progressivo, perda de força relevante, síndrome da cauda equina ou dor incapacitante refratária a tudo o que foi tentado. Ela não é o passo seguinte automático de quem não melhorou em duas semanas.
Como o tratamento é conduzido
A condução parte do princípio de que a dor precisa ser controlada para que a reabilitação seja possível — dor intensa impede exercício, e a ausência de exercício perpetua a dor. Os recursos usados pela Dra. Alyne incluem:
- Infiltrações e bloqueios analgésicos, aplicados na região da raiz nervosa irritada, com o objetivo de reduzir dor e inflamação local. A indicação depende do território acometido, do tempo de evolução e da resposta ao tratamento anterior.
- Radiofrequência, quando o caso é compatível, para modulação da condução dolorosa em estruturas específicas da coluna.
- Acupuntura médica, com respaldo em evidências para dor lombar e cervical, usada como recurso complementar de modulação da dor.
- Estratégia medicamentosa por tempo definido, com atenção especial à dor de característica neuropática, que responde de forma diferente dos analgésicos comuns.
- Articulação com fisioterapia e exercício progressivo, que é o que sustenta o resultado a longo prazo.
Nenhum desses recursos é aplicado em protocolo fixo. A escolha e a sequência dependem da avaliação individualizada, do exame neurológico e da resposta observada ao longo do acompanhamento.
A conexão entre dor, metabolismo e inflamação
Dois pacientes com a mesma imagem de ressonância podem ter experiências de dor completamente diferentes. Parte dessa diferença está no terreno metabólico e inflamatório de cada um, e é aí que a avaliação da Dra. Alyne se distingue de uma abordagem centrada só no disco.
O excesso de peso aumenta a carga mecânica direta sobre os discos lombares e, além disso, o tecido adiposo em excesso participa de um estado inflamatório de baixo grau que interfere na percepção dolorosa. Alterações da glicemia e resistência à insulina afetam a saúde do nervo periférico e podem tornar a dor neuropática mais persistente. Deficiências nutricionais, como vitamina D e vitamina B12, estão associadas a maior sensibilidade dolorosa e a pior recuperação muscular. O sono fragmentado pela dor reduz a capacidade de modulação da dor no dia seguinte, fechando um ciclo que se retroalimenta.
Por isso a investigação laboratorial faz parte da consulta, e não é um apêndice dela. A Dra. Alyne atua também na área de Nutrologia — pós-graduação em curso, com conclusão prevista para 2026 — e agrega essa leitura metabólica ao raciocínio de Medicina da Dor: trata-se a dor e, ao mesmo tempo, investiga-se o que a mantém acesa. Isso não substitui o tratamento da coluna, mas costuma explicar por que alguns quadros não respondem como o esperado.
Fale com o consultório
Dor irradiada na perna ou no braço merece uma avaliação que una exame neurológico, controle da dor e investigação metabólica. Consulta com a Dra. Alyne Neves Cintra, especialista em Medicina da Dor, em Brasília.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
Toda hérnia de disco precisa de cirurgia?
Não. A maior parte dos casos é conduzida com tratamento conservador e procedimentos minimamente invasivos. A cirurgia costuma ser reservada para situações específicas, como déficit neurológico progressivo, perda de força relevante ou alterações de controle da bexiga e do intestino, e a indicação depende sempre de avaliação individualizada.
Tenho hérnia de disco na ressonância, mas pouca dor. Preciso tratar?
Achados de hérnia em exames de imagem são frequentes em pessoas sem sintoma nenhum. O que orienta a conduta é a correlação entre a imagem, o exame clínico e o território da dor, e não a imagem isolada.
O bloqueio analgésico resolve a hérnia de disco?
O bloqueio não recoloca o disco no lugar. Ele pode aliviar a dor e a inflamação ao redor da raiz nervosa, abrindo uma janela em que a fisioterapia e o retorno ao movimento se tornam possíveis. O efeito varia conforme o caso e costuma ser parte de um plano mais amplo.
Quanto tempo demora para melhorar?
Varia bastante. Muitos quadros de dor irradiada melhoram de forma progressiva ao longo de semanas com tratamento conservador bem conduzido. Quando a dor persiste apesar disso, é o momento de reavaliar o diagnóstico e considerar procedimentos, quando indicados.
Peso, inflamação e alimentação influenciam a hérnia de disco?
Influenciam a evolução do quadro. Excesso de peso aumenta a carga sobre a coluna lombar, e alterações metabólicas e nutricionais podem interferir na intensidade da dor e na recuperação dos tecidos. Por isso a investigação laboratorial faz parte da avaliação.
Fontes e Referências
As informações desta página têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Em caso de sintomas, consulte um médico e procure atendimento médico para avaliação e diagnóstico individualizados.
